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RICARDO RIBAS

Jornalismo feito por jornalista

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Tag: Trânsito
O DPVAT agrega cerca de 80 seguradoras, mas poucas atenderam as necessidades dos acidentados - Divulgação

O DPVAT agrega cerca de 80 seguradoras, mas poucas atenderam as necessidades dos acidentados – Divulgação

 

O ano passado repetiu o cenário de anos anteriores, com poucas seguradoras se dedicando, de fato, ao trabalho para resolver o problema das pessoas ou seus beneficiários, que se acidentam no trânsito: receber a indenização, seja a de morte ou invalidez permanente, seja a de reembolso de despesas médico-hospitalares. Nesta situação, estiveram 320.569 brasileiros no ano passado, segundo dados da Seguradora Líder. Não mais que 33.798 deles tiveram seus casos solucionados em companhias de seguros de grande porte: apenas 10,5% do total. Este pequeno número até foi um avanço em relação a 2015, quando tão só 23.587 brasileiros (4,4% do total) receberam assistência de uma grande ou média corporação de seguros brasileira em todo o País.

 

Os dados mostram que, em 2016, de cada 100 cidadãos acidentados no trânsito, apenas um teve assistência de uma grande ou média seguradora, na sua busca pelo direito à indenização. Assim, os grandes grupos seguradores permaneceram alheios ao DPVAT, em mais um ano, no que se refere ao atendimento às vítimas do trânsito. São vítimas, portanto, que encontraram a solução na maioria esmagadora – em 286.771 vezes –, nas pequenas seguradoras, para o encaminhamento do pleito a uma das três coberturas do seguro obrigatório do trânsito.

 

Embora o consórcio do seguro DPVAT tenha cerca de 80 seguradoras integrantes, pouco mais de dez delas põem realmente as mãos na massa, para fazer valer o direito do acidentado à indenização. E todas são pequenas empresas. Elas responderam por 79,5% dos atendimentos realizados em 2016. Foram 254.711 atendimentos, uma média de 21.226 ao mês, quase 1 mil ao dia (útil).

 

Se considerado o rol das 15 mais entre as cerca de 80 seguradoras, no universo da quantidade de sinistros pagos em 2016, apenas três delas são de grande porte: Tokio Marine, Mapfre e Porto Seguro. As demais são pequenas. As 15 responderam pela quase totalidade de atendimentos realizados às vítimas de trânsito no ano, resolvendo quase 90% do total dos 320.569 sinistros pagos via atendimento por seguradoras no ano passado. As demais, cerca de 65, não fizeram nada para dignificar o cunho social do DPVAT.

 

Os 320.569 sinistros pagos em 2016 apresentaram queda de 41% frente a 2015, quando foram honrados 541.507 pedidos de indenização. Entre eles, 517.465 foram tocados por pequenas seguradoras (95,6% do total). Esta realidade tende a mudar neste ano com a decisão da Seguradora Líder, a administradora do seguro DPVAT, de centralizar os processos administrativos de sinistros DPVAT para, em seguida, redistribuir esses pedidos de indenização de acidentados no trânsito entre todas as seguradoras consorciadas.

Bolsões são bem vindos, mas devem ser encarados como medida paliativa. Falta um programa amplo de educação no trânsito – Foto: Divulgação

 A sinalização está localizada entre a faixa de pedestres e os automóveis e demais veículos parados no vermelho do semáforo, aguardando abrir. Este bolsão foi implantado no viaduto do Chá, no cruzamento com a rua Xavier de Toledo, no final de abril deste ano. A diferença entre o bolsão do centro e o bolsão da Rebouças é que o segundo será colocado ao lado do corredor de ônibus. Vale ressaltar que o corredor será preservado. A reserva será feita a partir da sinalização do trecho exclusivo para ônibus. Portanto, irá ocupar duas, das três faixas de rolamento. Sem ser pessimista, será uma briga de foice no escuro com motoqueiros disputando espaço com motoristas e pedestres, que mesmo tendo a seu favor uma faixa exclusiva não respeitam, colocando em risco sua própria vida ao não atravessar a via na faixa a eles destinada.

 

Os pedestres, ciclistas e os motociclistas são as vítimas de trânsito mais vulneráveis a acidentes quando o assunto é segurança viária. Em 2012, das 1.231 pessoas que morreram vítimas de ocorrências fatais no sistema viário, 540 (43,8%) eram pedestres, 438 (35,5%) conduziam motocicleta e 52 (4,2%) estavam pedalando.

 

 

Em países desenvolvidos, o uso da bicicleta é comum, mas têm regras rígidas - Foto: Reprodução

Em países desenvolvidos, o uso da bicicleta é comum, mas têm regras rígidas – Foto: Reprodução

Critérios – De acordo com a CET, os locais foram escolhidos em função do volume considerável de motocicletas e bicicletas que passam nessas vias. No cruzamento formado pelo viaduto do Chá, Praça Ramos de Azevedo e rua Coronel Xavier de Toledo. Estudo feito pela CET revela que circulam em média 428 motos e 37 bicicletas no horário de pico pela manhã, das 9h às 10h, e 686 motocicletas e 51 bicicletas e à tarde, das 16h30 às 17h30. Já na avenida Rebouças, no sentido centro, onde está a segunda caixa de acomodação, transita um volume médio de 3.700 motos no pico da manhã, das 7h às 10h.

 

Objetivos da CET: Proporcionar maior segurança para as motocicletas e ciclistas, diminuindo o conflito com autos no momento da largada no verde do semáforo; aumentar o respeito das motos à linha de retenção e à faixa de travessia, dar maior visibilidade às motos junto às travessias de pedestres e diminuir o número de acidentes envolvendo motos, ciclistas e pedestres no cruzamento. Segundo a prefeitura, essa sinalização é novidade no trânsito paulistano, mas já vem sendo usada com êxito em cidades espanholas como Barcelona e Madri, na Espanha. Em Barcelona, foi testada em três cruzamentos em 2009 e, posteriormente, expandida para outros locais, atingindo atualmente 60 cruzamentos sinalizados. A inovação da CET é atuar na segregação também para os ciclistas.

 

 

Condutores não respeitam o passeio público e fazem deles estacionamentos improvisados - Foto: Reprodução

Condutores não respeitam o passeio público e fazem deles estacionamentos improvisados – Foto: Reprodução

Pesquisa de percepção – A CET analisa o comportamento dos usuários para saber se eles estão se adaptando bem à novidade. Numa avaliação preliminar, é possível afirmar que os motoristas estão respeitando bem a medida. Já os motociclistas e ciclistas ainda estão se adaptando à nova sinalização. “Isso é natural neste primeiro momento, até que todos se acostumem com o projeto. A intenção da Companhia é expandir o bolsão para outros pontos da cidade, onde há grande concentração veicular, bem como de motos e ciclistas”, informa nota da CET. A prefeitura ainda afirma que nessa fase inicial as autuações não estão sendo registradas. É um trabalho piloto na área de segurança viária, portanto, os agentes da CET estão fazendo um trabalho educativo. Mas não informou quando essa fase do trabalho termina e nem quando as multas serão aplicadas.

 

No viaduto do Chá, o bolsão tem 5 metros de comprimento; na avenida Rebouças, possui 7 metros, sendo um pouco maior em razão do volume maior de motos em circulação. A área de espera exclusiva na avenida Rebouças em nada interfere com o corredor de ônibus. Contudo, a CET parece desconsiderar que a faixa exclusiva de ônibus, embora respeitada pela maioria dos motoristas faz encolher o número do espaço destinado a carros, motos, bicicletas e caminhões (cuja circulação é proibida, mas estão lá). Embora a iniciativa da CET seja, inicialmente, positiva, do ponto de vista de segurança no transito, é, também, mais um motivo para os agentes descerem canetadas, engordando, assim, os cofres públicos.

 

 

Estacionamento de bike improvisado é convite para voltar para casa de sem pedal - Foto: Luiz Costa/SMCS

Magrela amarrada é convite para voltar para casa de sem pedal – Foto: Luiz Costa/SMCS

Talvez fosse o caso de copiar o modelo instalado em Vitória (ES), que para evitar atropelamentos e acidentes de grandes proporções, promoveu um amplo programa de educação do transito, exigindo que motociclistas, motoristas e ciclistas parem seus veículos imediatamente quando o transeunte colocar o pé no asfalto, se não houver faixa de travessia de transeunte. Na existência e o pedestre não respeitar também é autuado. A pressa, portanto, tem preço! A multa é pesada e na reincidência pode levar a perda da carteira de habilitação.